A importância de “ter a manha”

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Todo mundo que teve que contratar os serviços de outra pessoa (ou empresa) já vivenciou o velho dilema: o que é mais importante, juventude ou experiência? E uma boa parte da decisão ser difícil é que o significado desses termos é menos óbvio do que parece.

Parafraseando Chaves, “existem jovens de oitenta e tantos anos, e também velhos de apenas vinte e seis“. Na decisão que temos que tomar, a juventude não tem a ver com a idade da pessoa/empresa, mas com a sua maturidade, responsabilidade e conhecimento. O jovem, nesse sentido, é aquele que está disposto a arriscar mais, a se aventurar em “águas nunca antes navegadas”, pelo menos não por ele. Pode dar certo. Pode não dar certo. Pode demorar mais que o previsto, ou menos. Pode custar mais que o esperado, ou menos. Existe muita gente com bastante idade que se comporta dessa forma.

Do outro lado, a experiência também não significa apenas a idade. Alguém pode trabalhar décadas fazendo a mesma coisa e, ainda assim, não “engrenar”. Acontece, todos temos nossas habilidades (e falhas), e é difícil perceber e admitir que não temos “jeito pra coisa”, principalmente depois de tanto tempo trabalhando com aquilo. Mais do que o tempo, a experiência tem a ver com a capacidade de entender o que é realmente importante e prever o que pode dar errado. Em português claro, uma pessoa/empresa experiente é aquela que “tem a manha”.

Qualquer criança consegue pegar alguns pedaços de madeira e construir um predinho em cima da mesa. Mas construir um predinho que pare de pé com vento, umidade, vibração, peso e todo tipo de intempérie, bem… aí é mais complicado.

Qualquer profissional inexperiente consegue fazer um produto que “pára de pé no laboratório, no vácuo, a 20 graus Celsius“. Mas o mundo real não é assim. No mundo real, a energia acaba, chove, o cachorro morde o fio, o usuário esquece de apertar o botão, as condições mudam… e o profissional que não tem a maturidade, a experiência, a “manha” pra pensar em tudo isso jamais será capaz de entregar um produto de qualidade.

Esse tipo de atitude não se ensina na faculdade, mas é forjada com o tempo. É óbvio que uma pessoa com pouca idade terá um repertório menor que alguém mais velho, mas isso não significa que uma pessoa mais velha necessariamente terá “mais a manha” do que um jovem. Também não há uma fórmula mágica pra fazer essa medida, o único jeito de entender a experiência da pessoa com quem você está falando é… conversando com ela!

É muito fácil fazer um truque de mágica em um ambiente controlado. Mas a vida real é complicada, esquisita, e não tem truque de mágica que resista a todas essas variáveis. Quem “tem a manha” sabe exatamente o que pode acontecer e já tem a solução encaminhada pro momento exato do problema. Ter a manha é o que faz de nós diferentes e especiais, profissionais competentes que entendem e entregam o que o cliente realmente precisa.