Pioneiros

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Quem resolve ir na frente leva muito mais porrada do que quem está só seguindo. Essa frase pode servir em vários contextos, e a primeira imagem que vem à mente é a do explorador, do bandeirante que vai abrindo uma picada no meio da floresta. Depois que ele já passou por todos os desafios, errou caminhos, caiu, se machucou e quase desistiu, fica bem mais fácil pra qualquer outra pessoa refazer a trilha. Mas o fato é que alguém precisa bater no peito e ser o primeiro a dizer “eu vou!”.

No mundo dos negócios não é nada diferente. Aliás, é a mesma coisa. Quando alguém tem uma ideia brilhante, inovadora e resolve seguir aquele caminho totalmente inexplorado, tudo é mais difícil. Não temos referência dos erros que outros cometeram (somos os primeiros!), muitas vezes não existem métodos ou ferramentas adequados (teremos que construí-los) e a chance de que tudo dê errado é muito grande!

Mas o pioneirismo também tem as suas vantagens. Significa que você pode ser o primeiro a chegar naquela mina de ouro. O primeiro e único a ter aquele produto fantástico! Pode significar um grande sucesso pessoal, a confirmação de uma visão e de uma coragem fora do comum, reconhecimento e fama (mesmo que pra algumas pessoas isso seja indesejável).

Colocados os prós e contras na balança, o que é melhor? Como sempre, e pra desespero de muitos, a resposta é: depende… Quando criança, a maior parte de nós tem aquele ímpeto de explorar, de querer chegar na frente, de descobrir coisas novas e tudo mais. Mas a vida adulta nos ensina que nem sempre esse é o melhor caminho. Se não existe nenhum demérito em escolher o caminho do pioneirismo, tampouco é um problema escolher “esperar um pouquinho pra ver melhor”. Os dois caminhos são válidos, e a opção por um ou outro deveria depender mais de uma análise das circunstâncias do que de sentimentos como medo ou coragem.

O grande risco do pioneiro no mundo dos negócios é deixar os clientes na mão. Quando você aparece com uma novidade, todo mundo fica interessado, quer saber mais, acreditam no que está sendo prometido e compram o que você estiver vendendo. Acontece que, nas palavras de um amigo, “a melhor forma de quebrar uma empresa é vender bastante de um produto ruim“. Se o seu trabalho não for assim “tão bom” quanto imaginava, se os problemas forem maiores do que o previsto inicialmente, se a floresta for mais densa do que você estava imaginando, bem… talvez você tenha enfiado o pé pelas mãos. Infelizmente, essa é uma situação muito comum.

Por outro lado, o grande risco do “seguidor” é perder o bonde. Depois que uma ideia pioneira já parou em pé, obviamente você já tem um concorrente de peso, pra começo de conversa. Mais ainda, da mesma forma que você percebeu que o caminho é seguro, outras pessoas também perceberam. É bem provável que muita gente queira entrar nesse novo mercado, todo mundo ao mesmo tempo, e o problema é que geralmente não há espaço pra todo mundo. Se todos ganharem na loteria ao mesmo tempo, o prêmio dividido não paga o valor do bilhete.

Em geral, as pessoas e empresas mais visionárias e inovadoras buscam o pioneirismo. Muitas ficam pelo caminho, e algumas poucas têm bastante sucesso. Pessoas e empresas mais responsáveis geralmente buscam entregar uma segurança maior para seus clientes, seguindo em um ritmo um pouco mais lento, porém sereno e acertado.

Conhecer a si mesmo permite escolher qual caminho seguir de forma mais adequada. Conhecer bem as pessoas e empresas com as quais você trabalha permite criar expectativas mais acertadas. Conhecer os prós e contras de cada estratégia, no final das contas, te traz maiores chances de ter sucesso em sua empreitada!